Juca "história"
    Stivaletti
    1000 Gols
 


Claudinho Samburá *



O homem-gol que seguiu a trilha de Pelé



   Ele sabe que nem de longe pode ser comparado a Pele. Não só por pertencer ao folclórico universo do futebol amador, mas também por ser um professor de matemática e não um camisa 10. No entanto, o ex-jogador de futebol de praia Claudinho Samburá guarda em seu arquivo de memórias um feito histórico: ultrapassou a marca os mil gols.

   Muitos podem perguntar: se ele foi um mero boleiro de fim de semana, como pode ter atingido tal marca ou saber que conseguiu? A resposta ele dá como se estivesse explicando uma expressão numérica a seus alunos: "Eu joguei mais de 20 anos na praia. Como cada ano tem 52 semanas e eu marcava pelo menos um gol por semana, cheguei a este total. E um cálculo aproximado e fui eu mesmo que fiz".

   Centroavante oportunista de 1971 a 1993, ele conta que logo depois de resumir o cálculo a um colega, em um descontraído bate-papo após o término de mais uma partida, foi aconselhado a se preparar para entrar para a história do futebol de pé descalço. "Este amigo me disse: a partir de hoje, você fez 990. Nós vamos começar a marcar a partir de agora e a hora vai chegar".

   Como se aproximar dos feitos do Rei não é uma coisa que acontece a toda hora, uma comemoração toda especial foi armada no dia do milésimo gol. "A turma gostava muito de mim. Eles pararam o jogo, eu dei a volta olímpica e, para minha surpresa, na hora de me entregarem a placa comemorativa, chamaram a cantora Vanusa. Ela estava na praia e participou da brincadeira".


Artimanha


   Perguntado sobre suas principais características na hora dos jogos, Claudinho diz que misturava a catimba de Serginho Chulapa com a movimentação de Jairzinho, o Furacão da Copa de 1970. "Eu jogava na área, mas também voltava para armar". Seu lance inesquecível nas areias ele tem na ponta da língua. "Uma vez, eu estava na área esperando um escanteio, e assim que a bola veio, eu ataquei um sabugo de milho na direcão do goleiro e ele ficou procurando. O juiz não viu, a bola sobrou para mim e eu fiz o gol".


Fonte


   Claudinho Samburá e sua história também são citados no livro Boleiros da Areia: o esporte como expressão de cultura e cidadania, escrito pelo sóciólogo Celio Nori. O palco para todas estas peripécias descritas acima foram as areias da Praia do José Menino, em Santos.

   Reportagem retirada do jornal Expresso Popular

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