Homenagem

JUCA - Um homem da história!!!
Transcrição do depoimento deixado por Juca no forum do Samburá Praia Clube.

Oi, pessoal Recentemente fui presenteado com a camisa do glorioso Samburá Praia Clube, numa homenagem que me pegou desprevenido e sem palavras para agradecer convenientemente. Os agradecimentos os faço agora, pelo site, pretendendo com isso deixá-los registrados para que não se percam como palavras ao vento.

Aos que tiveram a idéia da homenagem, bem como àqueles que a tornaram possível, meu muito obrigado. Bela camisa. Valeu rapaziada! Mas...reparei, no site, que o ano de fundação "oficial" do clube é 1964, porém, posso afirmar pra vocês que o Samburá é mais antigo do que está registrado. Se vocês tiverem tempo e quiserem conhecer um pouco da história do clube, aí vão alguns fatos os e personagens que vestiram essa camisa.

O Samburá tem três fases distintas e delas posso falar "de cadeira" porque participei de todas.

A primeira, anterior a 64, começou com uma turma do Marapé, da João Caetano com a Saturnino, onde as traves eram guardadas e de onde era a maioria dos caras que jogavam. Naquela época nós armávamos do outro lado do canal, e naquele time tínhamos nomes como o meu, é claro, Luiz Henrique, Orival, Amauri, João Carlos, Denio, Décio e outros mais que não lembro mais.

Curiosidade: jogavam também nessa época um cara chamado Ubiratan (é, aquele do Santos) e outro chamado Mauro Ramos de Oliveira( é, aquele bi-campeão mundial em 62, depois que parou no Santos). Ubiratan chegava de chinelinho, batia bola enquanto outros armavam as traves, e não fazia porra nenhuma. Mauro chegava de Mercedes que ganhou de um empresário alemão, ele uma e o Pelé outra, cavava buraco, armava trave, jogava, desarmava as traves e ia embora de Mercedes. Ubiratam ia embora de chinelinho, na maior máscara.

Algum tempo depois inventaram a Liga Santista de Futebol de Praia ou coisa assim e foi organizado o primeiro campeonato de futebol de areia. Apareceram times como o nosso, Alvorada, Divisa, Náutico (onde o Pona jogava), Caravelas, e mais um monte de times. Nosso primeiro jogo nesse campeonato foi contra o Divisa, que mandava os jogos em frente à Pedra da Feiticeira. Pra vocês terem uma idéia, naquele tempo ainda não havia o tapetão, e a pista para São Vicente era de mão dupla e de paralelepípedos. Os caras do Divisa se concentravam e se trocavam em um bar em frente ao campo.

Então, pra chegar no campo, os caras tinhas que atravessar aquela área onde hoje é o tapetão , mais aquele matinho que existe até hoje. Só que naquela época tudo era mato mesmo, e os caras paravam lá no meio pra fumar maconha, a torcida junto, e quando eles chegavam pra jogar estava todo mundo "numa boa", o time visitante esperando, juiz, bandeirinhas e o cacete.

Eles chegaram soltando fogos, muitos pra cima, um monte em nossa direção. Nosso time era de molecada, eu devia ter uns quinze anos nessa época e o resto do time era mais ou menos da mesma idade. Os caras do Divisa eram bem mais velhos, acho eu que na faixa dos trinta, deram pau pra caralho, a maior pressão em volta do campo e o filho da puta do juiz entrou no clima. Nós perdemos por 1x0, gol de cabeça aos 68 minutos do segundo tempo. Se eles não tivessem feito aquele gol, acho que nós estaríamos jogando até hoje.

Numa segunda fase, já jogando onde nós estamos hoje e com um pessoal totalmente diferente, o Samburá começou a ganhar os contornos do que é hoje. Ali surgiram nomes como Rosca, o famigerado Alberto Rollo, Ulisses, Afonso e Paulo, Ruisdael, Armando Henriques, Ismael, porra, a memória de velho é foda, tanta gente e não lembro mais. As traves eram guardadas na casa do pai do Ulisses, no Marapé. Levar pra praia era moleza, o duro era trazer de volta. Nessa época acabaram com os campos de várzea, quer dizer, os times da várzea vieram disputar o campeonato de praia. Aí surgiram times como o Democrático, XI Santista e mais um monte, e com eles vieram suas torcidas. Veio time até da Praia Grande, torcida de caminhão e o cacete. Não deu certo. Brigas, tiroteio, a porra toda, acabaram com o campeonato.

Nosso time, apesar de modesto, não fazia feio, viu molecada. Aí, nos paramos. Agora vou chegar onde eu queria. Segundo semestre de 1976, a terceira fase.

Inicialmente as traves foram guardadas num boteco do sogro do Rosca, na Olavo Bilac. Vieram Silvio Esteves, o pai dele, um cara chamado Amauri, acho que era primo do Silvio, Jorge Queixada, o irmão dele, Silvio corretor de seguros, o Parrinha, os primos dele Gilberto e Zé do Padre, Carlão, o irmão dele, Rubinho, junto com o Capelinha veio o seu irmão, Silvinho (falecido), que era da altura do Capelinha mas como era metido a jogar vôlei tinha uma puta impulsão, foi chegando gente, tanta que nós resolvemos voltar com as traves grandes. Aí vieram Claudinho, Gá, Meteoro, Aristides, muita gente.

Teve época que nós formávamos quatro times. Por arranjo não sei de quem, nós começamos a guardar as traves no porão dessa pensão que existe até hoje aí no canal 1. Só que depois dos jogos os caras queriam se lavar numa torneira dos fundos da pensão e faziam a maior molhadeira. Não demorou muito e nós fomos despjados. Passamos a guardar as traves, primeiro na garagem do Clube Atlântico e depois na garagem de um amigo do Claudinho, do Banco do Brasil. Então o Margarido tomou conta e nós estamos com ele até hoje. Estou contando tudo isso, só para lembrar que neste segundo semestre de 2006 nós completamos 30 anos seguidos de bola nas tardes de sábado, e acho que isso merecia uma comemoração. Que tal nós pensarmos nisso, César?

JUCA - Um homem da história!!!